Epifania do Senhor: a verdadeira história dos Magos que reconheceram Cristo

Nela, a Igreja recorda a manifestação de Jesus Cristo como Salvador não apenas de Israel, mas de todos os povos. O Evangelho apresenta essa revelação por meio da visita dos Magos do Oriente, que, guiados por uma estrela, chegam até Belém para adorar o Menino Jesus.
Mais do que uma tradição popular conhecida como “Dia de Reis”, a Epifania revela um momento decisivo da história da salvação: Cristo se dá a conhecer às nações.
Quem eram os Magos do Oriente?
O relato encontra-se no Evangelho segundo São Mateus (Mt 2,1–12). A Sagrada Escritura não os chama explicitamente de reis, mas de magos, termo que, na Antiguidade, indicava homens sábios, estudiosos dos astros e da ciência de seu tempo, provenientes do Oriente — provavelmente da região da Pérsia ou da Babilônia.
A tradição cristã, iluminada por textos proféticos como Isaías 60 e o Salmo 72, reconheceu nesses sábios a figura de reis, não por poder político, mas por sua dignidade simbólica: eles representam as nações que se aproximam de Cristo para reconhecê-lo como Senhor.
Eram três? Tinham nomes?
O Evangelho não especifica o número de magos. A tradição cristã passou a considerá-los três devido aos três presentes oferecidos: ouro, incenso e mirra. Da mesma forma, os nomes Melquior, Gaspar e Baltasar não aparecem na Bíblia, mas surgem na tradição da Igreja como expressão catequética, ajudando a transmitir o significado universal da Epifania.
A Igreja reconhece que tais elementos pertencem à Tradição, que, junto com a Sagrada Escritura, forma a única fonte da Revelação divina (cf. Dei Verbum, 9).
Por que eles vieram do Oriente?
O fato de os Magos serem estrangeiros é essencial para compreender a Epifania. Eles não pertenciam ao povo da Aliança, mas foram chamados por Deus e conduzidos até Cristo.
Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 528):
“A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo.”
Nos Magos, a Igreja vê os povos pagãos que, guiados pela graça, reconhecem em Jesus o verdadeiro Rei e Salvador.
A estrela e a busca pela verdade
A estrela não deve ser compreendida como simples fenômeno astronômico, mas como sinal providencial usado por Deus para conduzir aqueles homens até Cristo. Ela simboliza a luz da graça que orienta todo coração sincero na busca da verdade.
Enquanto Herodes reage com medo e violência, e os doutores da Lei conhecem as Escrituras, mas não se movem, os Magos partem em peregrinação, guiados pela fé.
O gesto da adoração
Ao encontrarem o Menino com Maria, sua Mãe, os Magos prostram-se e o adoram (Mt 2,11). Esse gesto revela que reconheceram em Jesus muito mais do que um rei terreno.
Os presentes oferecidos expressam essa fé:
Ouro: reconhece a realeza de Cristo
Incenso: proclama sua divindade
Mirra: antecipa o mistério de sua paixão e morte
O significado da Epifania para hoje
A Epifania continua a falar à Igreja e ao mundo:
Cristo se manifesta a todos os povos, sem distinção
A fé verdadeira exige movimento, busca e conversão
A resposta ao encontro com Cristo é a adoração e a oferta da própria vida
Maria aparece como aquela que apresenta Cristo ao mundo
Conclusão
Celebrar a Epifania do Senhor é contemplar o mistério de um Deus que se deixa encontrar por quem o busca com sinceridade. Nos Magos, a Igreja reconhece a vocação universal da fé cristã e recorda que Cristo é a luz que ilumina todas as nações.
Diante dele, como aqueles sábios do Oriente, somos chamados a abrir nossos tesouros, prostrar-nos em adoração e seguir por um novo caminho.















